Quase todo mundo usa aplicativos para trabalhar, se divertir, fazer compras, ler, assistir a filmes, conversar e muito mais. Mas será que você realmente sabe o que eles são ou como funcionam? Qual a diferença entre um aplicativo nativo e simplesmente acessar um site? E o que é um aplicativo web?
Se você precisa criar um aplicativo para o seu negócio ou quer entender como escolher as ferramentas certas para o seu fluxo de trabalho, conhecer os fundamentos faz toda a diferença. Continue lendo para descobrir como os diferentes tipos de aplicativos funcionam e conheça exemplos de apps úteis e poderosos que estão ajudando empreendedores de e-commerce, como Raven Gibson, da Legendary Rootz, a construir e escalar seus negócios com mais eficiência.
O que é um aplicativo?
Antes dos smartphones, os softwares executados em computadores eram chamados de "aplicativos" ou "programas". Com o lançamento do iPhone, Steve Jobs popularizou o uso do termo "app" para se referir a todos os programas do dispositivo, como e-mail, navegador Safari e jogos. Em 2009, a Apple consolidou essa nomenclatura com a campanha publicitária "There's an App for That" (Tem um app para isso), e o termo passou a fazer parte do vocabulário cotidiano.
Mas existe diferença entre um app e um aplicativo? Na prática, não. Ambos são programas de software, e o termo "app" é apenas uma forma mais curta e prática de se referir a um aplicativo. Embora tenha se popularizado com os dispositivos móveis, muitos apps também funcionam em computadores. Um exemplo são diversos apps do iPhone, que também podem ser usados em desktops e notebooks Mac.
Como os aplicativos são criados?
Programadores desenvolvem aplicativos escrevendo código em uma linguagem de programação, que fornece instruções para o hardware — como smartphones, tablets e computadores — executar determinadas tarefas. Essas instruções definem a interface do app, incluindo a disposição de imagens e botões, além do comportamento do aplicativo quando o usuário clica ou toca nesses elementos.
Na prática, a maioria dos desenvolvedores utiliza um ambiente de desenvolvimento integrado (IDE), que funciona como um espaço de trabalho para criar aplicativos. Ferramentas como Visual Studio e Xcode oferecem recursos para escrever, organizar e testar o código, além de funcionalidades como autocompletar e depuração, tornando o desenvolvimento mais ágil e eficiente. Hoje, também é comum recorrer a assistentes de IA para acelerar a escrita do código.
Depois de concluir o desenvolvimento, os programadores compilam o aplicativo e iniciam uma série de testes para validar a interface, verificar se as funcionalidades funcionam corretamente e garantir a compatibilidade com diferentes dispositivos. Quando tudo está pronto, o app é publicado em uma loja de aplicativos. A partir daí, o ciclo continua com correções, melhorias e o desenvolvimento de novas versões.
Tipos de aplicativos
- Aplicativos para desktop
- Aplicativos móveis
- Aplicativos nativos
- Aplicativos multiplataforma
- Aplicativos web
- Aplicativos híbridos
- Aplicativos legados
Existem aplicativos para praticamente qualquer finalidade, como jogos, comunicação, produtividade, entretenimento e redes sociais. Além disso, eles podem ser desenvolvidos para diferentes sistemas operacionais, navegadores ou tipos de dispositivos. Conheça os principais tipos de apps:
Aplicativos para desktop
No contexto dos aplicativos, "desktop" se refere a computadores de mesa ou notebooks. Aplicativos para desktop rodam em computadores, e não em tablets e smartphones, sendo geralmente mais complexos e robustos do que suas versões móveis. Inicialmente, isso acontecia porque celulares e tablets eram menos potentes que computadores, mas hoje a diferença está mais relacionada à interface do usuário (toque versus mouse/trackpad, tamanho da tela, etc.).
Os aplicativos para desktop podem utilizar múltiplas janelas, organizar recursos em menus mais completos e integrar-se com maior facilidade a outros programas do sistema operacional. O Adobe Photoshop, por exemplo, seria difícil de usar em uma tela pequena sensível ao toque, ao contrário do Lensa, um editor de fotos gratuito com inteligência artificial, desenvolvido para dispositivos móveis.
Aplicativos móveis
Aplicativos móveis funcionam especificamente em dispositivos como smartphones e tablets. Os melhores apps móveis priorizam uma experiência de uso fluida, evitam complexidade excessiva e são projetados para interação por toque. Se o seu objetivo é desenvolver um aplicativo de compras para dispositivos móveis, é importante priorizar recursos como busca rápida, navegação intuitiva e integração com métodos de pagamento.
O app Shop, por exemplo, foi projetado para facilitar compras em lojas Shopify pelo celular, além de oferecer rastreamento de pedidos e atualizações de status de envio por meio de notificações.
Aplicativos nativos
Um aplicativo nativo é desenvolvido especificamente para uma determinada plataforma. Um app nativo para iOS (sistema operacional do iPhone), por exemplo, utiliza as linguagens de programação da Apple (Swift ou Objective-C) e as interfaces de programação de aplicações (APIs) da Apple. Aplicativos nativos geralmente seguem os princípios de design da plataforma para a qual foram criados, como o alinhamento de itens de menu ou a aparência de caixas de diálogo. Eles também adotam convenções do sistema operacional, como ⌘+vírgula para abrir as configurações do app no Mac, ou Ctrl+P para imprimir no Windows. O Numbers, aplicativo de planilhas da Apple, é um exemplo de como um app pode ser profundamente integrado aos recursos nativos do sistema operacional.
"Sou do tipo que ama planilhas", diz Raven. Em um episódio do podcast Shopify Masters, ela conta quais aplicativos utiliza para administrar seu negócio. "Uso o Numbers. Gosto da facilidade de importar e exportar arquivos CSV, o que ajuda muito na importação em massa de produtos." Raven utiliza o recurso de importação em massa no Numbers para visualizar, em uma única planilha, todos os pedidos e perfis de clientes. Dessa forma, consegue conferir se as informações do site estão organizadas corretamente e se correspondem aos pedidos realizados pelos clientes.
Aplicativos multiplataforma
Diferentemente de um app nativo, um aplicativo multiplataforma funciona em diferentes plataformas, como Windows, macOS, iOS, Android e diversos navegadores. Não é necessário contar com um desenvolvedor especializado para cada plataforma, nem manter bases de código separadas. Em geral, um único código pode ser utilizado para criar versões do aplicativo para diferentes sistemas operacionais. O termo "aplicativo multiplataforma" também pode se referir a softwares compatíveis com vários sistemas, mesmo quando o fornecedor mantém versões específicas para cada plataforma.
Muitos apps multiplataforma modernos são desenvolvidos com o Electron, um framework que incorpora uma versão personalizada do navegador Chromium para executar o aplicativo. Essa abordagem facilita a criação de um único código compatível com diferentes sistemas operacionais. Por outro lado, apps desenvolvidos com Electron costumam ocupar mais espaço, já que cada instalação inclui o mecanismo do navegador além do próprio aplicativo. Além disso, podem não oferecer o mesmo nível de integração e desempenho de um app nativo, especialmente quando precisam acessar recursos mais avançados do sistema operacional.
"O Notion é provavelmente o meu software favorito. Tenho um banco de dados onde guardo todas as minhas ideias", conta Raven. O Notion é um aplicativo multiplataforma de produtividade que pode ser acessado pelo navegador, pelo computador ou por dispositivos móveis. Segundo Raven, essa flexibilidade ajuda a organizar o processo criativo: "Quando surge uma ideia, em vez de sair correndo para colocá-la em prática, eu a registro no Notion. Tenho um banco de dados onde anoto todas as minhas ideias, quem imagino usando cada design e como pretendo divulgá-lo."
Aplicativos web
Os aplicativos web funcionam diretamente no navegador e podem ser acessados em diferentes plataformas, sem a necessidade de instalação. Desenvolvidos com tecnologias como HTML, CSS e JavaScript, eles oferecem uma experiência de uso semelhante à de um aplicativo tradicional. Em geral, os apps web são otimizados para os navegadores mais populares, especialmente o Google Chrome, mas também costumam ser compatíveis com alternativas como Safari e Firefox.
Os aplicativos web oferecem vantagens significativas. Eles podem ser acessados em dispositivos móveis sem a necessidade de baixar um app em uma loja de aplicativos e, como ficam hospedados em servidores — e não no dispositivo do usuário —, estão sempre atualizados. Além disso, podem aproveitar o poder de processamento desses servidores, em vez de depender exclusivamente do hardware limitado de um smartphone. O Canva, por exemplo, é um aplicativo de design gráfico e edição de imagens baseado na web que funciona inteiramente no navegador.
Os aplicativos web são ótimos, mas não oferecem acesso offline. Os Progressive Web Apps (PWAs) resolvem essa limitação porque podem ser instalados no dispositivo e armazenar dados localmente. Eles também adicionam um ícone à tela inicial, à bandeja do sistema ou ao dock e permitem o envio de notificações push.
Os PWAs utilizam tecnologias web modernas e oferecem uma experiência tão responsiva quanto a de aplicativos instalados localmente. Tecnicamente, eles ainda são executados em um navegador, mas, diferentemente de um aplicativo multiplataforma baseado em Electron, utilizam o mecanismo de navegação já integrado ao sistema operacional.
Aplicativos híbridos
Os aplicativos híbridos se parecem com apps comuns executados no dispositivo, mas grande parte de suas funcionalidades funciona dentro de uma janela de navegador personalizada. Muitas empresas optam por esse modelo porque ele facilita o desenvolvimento para diferentes plataformas e permite atualizar o conteúdo do app sem a necessidade de lançar uma nova versão do aplicativo. Em geral, os apps híbridos exigem uma conexão constante com a internet.
O serviço de pagamentos parcelados Klarna, por exemplo, utiliza aplicativos híbridos, o que permite integrar suas tecnologias web e APIs de forma fluida a diferentes aplicativos, incluindo os de terceiros.
Aplicativos legados
No contexto dos aplicativos, o termo "legado" se refere a softwares desatualizados ou desenvolvidos para arquiteturas antigas. Por exemplo, quando a Apple lançou os Macs com Apple Silicon, todos os aplicativos criados para Macs com processadores Intel passaram a ser considerados aplicativos legados por não serem nativamente compatíveis com a nova arquitetura. Para contornar esse problema, a Apple desenvolveu o Rosetta 2, um tradutor que permitiu que esses aplicativos antigos continuassem funcionando nos novos computadores. Aplicativos legados também podem ser aqueles que deixaram de receber suporte, seja porque foram substituídos, descontinuados ou porque a empresa responsável pelo seu desenvolvimento encerrou suas atividades.
Exemplos práticos de aplicativos
Uma rápida olhada na Shopify App Store mostra que realmente existe um app para tudo. O conjunto de aplicativos que você escolhe para ajudar a gerenciar seu negócio vai variar conforme suas necessidades. Embora um aplicativo multiplataforma possa ser a melhor opção para determinados usos — como ferramentas de comunicação amplamente utilizadas, a exemplo do Slack —, em outros casos um app web simples e direto pode ser a escolha mais adequada. Veja alguns exemplos:
- Atlas Pickup Points: o Atlas Pickup Points se integra diretamente à loja Shopify e permite que os clientes escolham pontos de retirada para suas encomendas. O aplicativo recebeu o Shopify Build Award 2025 pela qualidade da experiência do usuário. Basta visitar o site de demonstração para entender o motivo: a interface é limpa, intuitiva e totalmente focada na tarefa. (O serviço é voltado principalmente para mercados internacionais).
- Zendesk: o aplicativo de atendimento ao cliente Zendesk facilita o acesso centralizado aos dados dos clientes e oferece integração com a Shopify. "Ele consegue reunir o e-mail do cliente com informações sobre pedidos, dados de envio e número do pedido", conta Raven. Isso facilitou o atendimento às dúvidas dos clientes, eliminando a necessidade de consultar cada pedido separadamente. "Meu lema é: quanto melhor a estrutura, mais fácil é resolver o problema."
- Printful: o Printful permite criar uma loja de impressão sob demanda integrada à Shopify e gerenciar tudo pelo app móvel. "Já trabalhei com algumas empresas de dropshipping e impressão sob demanda. Eu realmente aprecio a capacidade do Printful de conectar tudo", avalia Raven.
- TikTok Shop: o TikTok conta com um serviço de compras próprio que permite a empresas, lojistas, artistas e influenciadores criar e vender produtos diretamente pela plataforma.
Perguntas frequentes sobre aplicativos
O que é um aplicativo e como ele funciona?
Um aplicativo é um software que roda em um computador para permitir que o usuário realize tarefas específicas. Ele é composto por uma interface do usuário (a parte visível, com os botões em que você toca ou clica), pelo código (um conjunto de instruções escritas por um ou mais desenvolvedores que orienta o computador sobre o que fazer) e pelos dados (as informações que o aplicativo processa). Ele funciona utilizando os recursos integrados do sistema operacional do dispositivo, adicionando suas próprias funcionalidades e apresentando tudo ao usuário por meio da interface.
Aplicativos gratuitos são realmente gratuitos?
Sim, alguns aplicativos são realmente gratuitos, embora existam outras formas de monetizá-los. Por exemplo, jogos, aplicativos de notícias e redes sociais gratuitos costumam exibir anúncios ou oferecer compras dentro do próprio app. Já plataformas de e-commerce podem disponibilizar aplicativos gratuitos para incentivar os clientes a comprar seus produtos ou serviços.
Qual é a diferença entre um aplicativo e um site mobile?
Um site mobile é um site otimizado para funcionar no navegador de um smartphone, como Chrome ou Safari. Ele é carregado sempre que o usuário acessa a página e, em geral, requer conexão com a internet para ser utilizado. Já um aplicativo é um software instalado localmente no dispositivo, que pode oferecer funcionalidades offline e proporcionar uma experiência mais completa, com acesso a recursos que normalmente não estão disponíveis em um site mobile.

