Você encontrou uma ou mais ideias de negócios que podem mudar o mundo (ou pelo menos a sua escola). E agora? Se você tem menos de 18 anos, é possível transformar essa ideia em realidade e iniciar seu próprio pequeno negócio. Mas há um detalhe: jovens empreendedores precisarão do apoio ou da autorização dos pais para completar muitas das etapas que levam ao lançamento de uma marca.
A boa notícia é que, com esse apoio, muitos jovens conseguem participar ativamente da criação e da gestão de um negócio. Empreender desde cedo pode abrir oportunidades no futuro, desenvolver habilidades que vão além da sala de aula e até gerar uma renda extra para projetos pessoais, estudos ou outros objetivos.
A seguir, descubra por que começar cedo pode fazer toda a diferença.
Por que começar um negócio com menos de 18 anos
- Aprender com os erros em uma fase de experimentação
- Aproveitar uma etapa da vida com mais tempo disponível
- Identificar oportunidades entre pessoas da mesma faixa etária
- Ter acesso a recursos e apoio para novos empreendedores
- Desenvolver habilidades valiosas para o futuro
- Gerar renda para objetivos pessoais ou educacionais
Ter um negócio traz benefícios para empreendedores de qualquer idade. Para os jovens, além de representar uma oportunidade de renda, pode ser uma experiência prática de aprendizado, desenvolvimento pessoal e descoberta de interesses profissionais. Confira alguns motivos para começar desde cedo:
Aprender com os erros em uma fase de experimentação
Começar um negócio em qualquer idade envolve riscos. Mas quando você é jovem e vive sob o teto dos pais, as consequências do fracasso são muito menores. Cometer erros cedo significa que você terá muito mais tempo pela frente para acertar.
Um exemplo é o de Davi Braga, que criou a startup List-it aos 13 anos para ajudar famílias a comparar preços de materiais escolares. Ao desenvolver o negócio ainda durante a adolescência, ele adquiriu experiência em áreas como tecnologia, vendas e gestão, além de aprender a adaptar sua ideia conforme o mercado evoluía. Hoje, Davi é referência nacional em educação empresarial.
Aproveitar uma etapa da vida com mais tempo disponível
Entre escola, esportes, atividades e uma vida social ativa, pode parecer que seu tempo já está apertado. Mas, após atingir a idade adulta, sua agenda pode ficar ainda mais cheia. Com menos responsabilidades e contas a pagar, agora é a hora de correr atrás dessa ideia.
Foi o que aconteceu com o carioca Edgard Nogueira. Aos 14 anos, ele fundou o Aonde.com, um dos primeiros mecanismos de busca da internet brasileira. Interessado por tecnologia desde cedo, começou a explorar a internet ainda adolescente e decidiu criar uma ferramenta para organizar a crescente quantidade de informações disponíveis na web. O projeto foi desenvolvido enquanto ele ainda estudava e exigiu um investimento inicial modesto. Em poucos anos, o site alcançou milhões de visualizações mensais e chegou a ser avaliado em milhões de reais, tornando Edgard um dos casos mais conhecidos de empreendedorismo jovem no Brasil.
Identificar oportunidades entre pessoas da mesma faixa etária
Os colegas de classe se tornam o melhor canal para testar uma ideia de produto, e a rede interna de potenciais clientes de uma escola facilita o marketing boca a boca. Use suas experiências como criança ou adolescente para resolver um problema ou criar um produto voltado para seus colegas.
Bianca Andrade, fundadora da marca de cosméticos Boca Rosa, começou a empreender ainda na adolescência ao criar conteúdo sobre maquiagem para um público jovem que buscava dicas acessíveis e uma linguagem próxima da sua realidade. O que começou como um blog e um canal no YouTube se transformou em uma comunidade engajada e, mais tarde, em uma das marcas de beleza mais conhecidas do país. Hoje, a Boca Rosa Beauty tem a meta de alcançar R$ 1 bilhão em faturamento até 2030.
Ter acesso a recursos e apoio para novos empreendedores
Muitos jovens têm acesso a recursos que podem ajudar a desenvolver uma ideia de negócio sem grandes investimentos iniciais. Além da escola, existem cursos, mentorias e programas gratuitos voltados ao empreendedorismo oferecidos por instituições como o Sebrae. Diversas escolas também incluem projetos de empreendedorismo e educação financeira em suas atividades, incentivando os estudantes a desenvolver habilidades práticas desde cedo.
Considere aproveitar recursos como:
- Laboratórios, bibliotecas e espaços de aprendizagem da escola.
- Computadores, internet e softwares educacionais.
- Orientação de professores, coordenadores e colegas.
- Cursos, conteúdos e programas gratuitos de empreendedorismo oferecidos por instituições como o Sebrae.
- Feiras de ciências, projetos escolares e iniciativas voltadas à inovação e ao empreendedorismo.
Desenvolver habilidades valiosas para o futuro
Os proprietários de pequenos negócios costumam aprender muito nos primeiros anos de operação. Isso acontece porque, especialmente no início, precisam assumir diferentes responsabilidades, como vendas, marketing, desenvolvimento de produtos e atendimento ao cliente. O mesmo vale para empreendedores que começam ainda jovens.
Criar um negócio desde cedo ajuda a desenvolver habilidades valiosas para a vida, como resolução de problemas, comunicação, organização, negociação e responsabilidade. Além disso, proporciona uma experiência prática que complementa o aprendizado escolar. Outro benefício importante é a oportunidade de compreender, na prática, conceitos de educação financeira, como receita, despesas, reinvestimento e tributação, conhecimentos que podem ser úteis ao longo de toda a vida.
Henrique Dubugras e Pedro Franceschi começaram a empreender ainda adolescentes. Aos 16 anos, fundaram a Pagar.me, uma plataforma de pagamentos online que mais tarde seria adquirida pela Stone. A experiência adquirida nessa primeira empresa ajudou os dois a criar a Brex, fintech que alcançou destaque internacional.
Gerar renda para objetivos pessoais ou educacionais
Hobbies podem ser uma ótima porta de entrada para o empreendedorismo. Transforme o gosto por animais em um serviço de passeios com cães ou a habilidade com costura em uma marca de roupas para vender online. Além de ganhar dinheiro fazendo algo de que gosta, um negócio pode ajudar a financiar objetivos pessoais ou educacionais. Seja para comprar um videogame novo, fazer um curso ou economizar para os estudos, empreender desde cedo pode ser um passo importante rumo à independência financeira.
Como começar um negócio com menos de 18 anos
- Converse com seus pais ou responsáveis
- Encontre e valide sua ideia
- Decida como financiará seu negócio
- Defina preços para seus produtos ou serviços
- Escreva um plano de negócios
- Trabalhe com um pai ou responsável para se organizar
- Configure sua loja virtual
- Crie contas em redes sociais
- Divulgue e venda seus produtos ou serviços
- Gerencie seu dinheiro
No Brasil, muitos jovens começam a empreender vendendo doces, artesanatos ou produtos personalizados, oferecendo serviços para a comunidade ou criando conteúdo online. Essas ideias costumam ter baixo custo inicial, mas, se você pretende levar o empreendedorismo para o próximo nível, é hora de envolver um pai ou responsável.
Com a ajuda de um adulto, siga estas etapas para começar um negócio com menos de 18 anos.
1. Converse com seus pais ou responsáveis
Antes de começar a elaborar um plano de negócios ou criar uma marca, conte com o apoio de um pai ou responsável. Além de oferecer orientação, ele poderá ajudar em questões legais, financeiras e administrativas ao longo da jornada empreendedora.
No Brasil, menores de 16 anos devem ser representados pelos pais ou responsáveis legais para praticar atos empresariais. Já adolescentes entre 16 e 18 anos podem empreender com a assistência dos responsáveis, que participam e assinam os documentos necessários. Em caso de emancipação, jovens de 16 e 17 anos podem exercer a atividade empresarial sem essa assistência.
Por isso, vale a pena apresentar sua ideia com seriedade, explicar seus objetivos e conversar sobre como cada um poderá contribuir para o projeto. Dependendo da situação, os responsáveis poderão participar da abertura do negócio, da assinatura de documentos e de outras decisões importantes nos estágios iniciais da operação.
O apoio de um adulto também pode ser necessário para contratar serviços, abrir contas financeiras, criar uma loja virtual ou gerenciar contas em plataformas e redes sociais que possuam requisitos mínimos de idade.
2. Encontre e valide sua ideia
Pense grande! As oportunidades podem surgir de diferentes lugares: de um problema que afeta você e seus colegas, de uma nova forma de oferecer um produto existente ou até de algo completamente novo. Também vale conversar com amigos e familiares para trocar ideias e identificar quais delas parecem mais promissoras.
Uma boa prática é manter um caderno ou arquivo digital para registrar inspirações, observações e possíveis soluções para problemas do dia a dia. Muitas vezes, um pensamento simples pode evoluir para uma oportunidade de negócio no futuro.
Existem muitas formas de empreender antes dos 18 anos, desde oferecer serviços na vizinhança até vender produtos pela internet. Algumas possibilidades incluem vender doces ou artesanato, oferecer aulas de reforço, cuidar de animais de estimação, criar conteúdo para redes sociais, revender produtos ou desenvolver projetos voltados para causas sociais.
Depois de escolher uma direção, é hora de validar a proposta. Conversar com potenciais clientes e apresentar o projeto para amigos, familiares, colegas de escola ou pessoas da comunidade pode ajudar a obter feedback, identificar melhorias e descobrir se existe demanda para o que você pretende oferecer.
3. Decida como financiará seu negócio
Jovens podem facilmente iniciar um negócio com o apoio dos pais. Contudo, algumas ideias de negócios exigirão um capital inicial. Você tem suas próprias economias de mesada ou de um trabalho que realizou? Seus pais vão te emprestar o dinheiro? Existem bolsas, programas escolares ou iniciativas locais que possam ajudar?
Antes de começar, liste todos os custos iniciais para entender de quanto dinheiro você precisa. Suas necessidades vão depender do tipo de negócio. Se você pretende vender amigurumis em feiras de artesanato, por exemplo, talvez já tenha agulhas e materiais básicos, mas ainda precise considerar gastos com embalagens, etiquetas, meios de pagamento e a taxa de participação nos eventos.
Um exemplo simples dos itens necessários para começar poderia incluir:
- Linha, enchimento e olhos de segurança para os amigurumis
- Placa, banner ou material de sinalização para a banca
- Espaço em uma feira de artesanato ou evento local
- Embalagens, etiquetas e fitas para os produtos
- Materiais de divulgação e outros itens necessários para a operação
Pesquise os custos de cada item na sua região para estimar quanto será necessário investir antes de começar. As despesas podem variar bastante dependendo da cidade, dos fornecedores e dos eventos escolhidos. Se você também pretende vender pela internet, inclua no planejamento os custos relacionados à loja virtual, processamento de pagamentos, marketing e envio dos produtos.
Depois de reunir o capital necessário para começar, também é importante contar com o apoio de um adulto para lidar com os aspectos financeiros do negócio. Desde o início, conversem sobre como serão organizados os recebimentos, as despesas e as responsabilidades relacionadas à gestão financeira do empreendimento.
4. Defina preços para seus produtos ou serviços
Definir preços pode parecer difícil, mas pesquisa e organização ajudam bastante. Observe quanto outros negócios cobram por produtos ou serviços semelhantes e procure entender o que está incluído nesse valor. Você pode comparar preços em marketplaces, lojas virtuais, feiras locais e perfis de redes sociais de marcas parecidas.
Ao definir seus preços, considere também:
- Custos variáveis: despesas que aumentam conforme você produz ou vende mais, como matéria-prima, embalagens, frete, taxas de pagamento e comissões.
- Custos fixos: despesas recorrentes para manter o negócio funcionando, como mensalidades de ferramentas, internet, energia elétrica, aluguel de espaço ou participação regular em eventos.
- Margem de lucro: valor que sobra após o pagamento de todos os custos e despesas. Um pai, responsável ou mentor pode ajudar a calcular uma margem que torne o negócio sustentável.
💡Dica: o Sebrae disponibiliza planilhas gratuitas de precificação que ajudam empreendedores a organizar custos e calcular preços de venda com base em dados reais.
5. Escreva um plano de negócios
Um plano de negócios funciona como um mapa para administrar e desenvolver sua empresa. Ele não precisa ser enorme, mas deve deixar claro o que você quer vender, para quem e como pretende crescer.
Inclua elementos como:
- Missão: explique o propósito e os valores da empresa. Essa parte fica ao lado de decisões importantes, como nome e identidade da marca.
- Produtos e serviços: descreva em detalhes o que você vende e quais serão os preços.
- Plano de marketing: liste as estratégias que você pretende usar para divulgar o negócio.
- Plano financeiro: inclua possíveis fontes de financiamento, previsão de receita e despesas esperadas.
Para escrever seu plano, comece entendendo quem é seu público, quais são seus objetivos e o que precisa acontecer para a ideia sair do papel.
6. Trabalhe com seus pais ou responsáveis para se organizar
A participação de um pai ou responsável é fundamental para quem deseja empreender antes dos 18 anos, exceto nos casos de jovens de 16 e 17 anos legalmente emancipados. Além de oferecer orientação, os responsáveis podem ajudar a lidar com questões legais, financeiras e administrativas necessárias para colocar o negócio em funcionamento e mantê-lo organizado.
Se o negócio envolver prestação de serviços ou trabalho remunerado, como jardinagem, passeios com cães, produção de alimentos para venda, entregas ou participação em feiras e eventos, é importante verificar as regras aplicáveis a adolescentes. No Brasil, jovens menores de 18 anos não podem exercer atividades consideradas perigosas, insalubres, penosas ou realizadas em horário noturno, nem trabalhos que prejudiquem seu desenvolvimento ou a frequência à escola.
Dependendo da atividade, também pode haver exigências específicas relacionadas à segurança, à manipulação de alimentos ou à participação em eventos organizados por terceiros.
Você também deve contar com a ajuda de um responsável para outras tarefas, como:
- Definir preços: pesquise quanto outros negócios cobram por produtos ou serviços semelhantes e considere todos os custos envolvidos antes de estabelecer seus preços.
- Organizar as finanças: registre receitas e despesas, acompanhe o fluxo de caixa e planeje como o dinheiro será reinvestido no negócio.
- Criar uma loja virtual: um responsável pode ajudar na contratação de plataformas, meios de pagamento e outros serviços necessários para vender online.
- Gerenciar a presença digital: algumas redes sociais e plataformas online possuem idade mínima para criação ou administração de contas, o que pode exigir acompanhamento de um responsável.
- Avaliar a formalização do negócio: conforme a atividade cresce, um responsável, contador ou mentor pode ajudar a entender as opções de formalização disponíveis e as obrigações relacionadas.
7. Configure sua loja virtual
Se você vai vender pela internet, precisará usar a conta de um pai ou responsável para acessar uma ferramenta como a Shopify. Depois disso, você pode ajudar a escolher o tema, personalizar o visual, organizar produtos e escrever textos para a loja.
Ao configurar sua loja, pense em:
- Seu público: o site deve ser fácil de navegar e ajudar os clientes a encontrar rapidamente as informações de que precisam. Páginas de contato, perguntas frequentes e políticas da loja podem melhorar a experiência de compra.
- Sua história: explique como surgiu a ideia do negócio e o que torna seus produtos ou serviços especiais. Isso ajuda a criar conexão e confiança com os clientes.
- Suas descrições de produtos: elas podem refletir a personalidade da marca, mas devem ser claras, objetivas e responder às principais dúvidas dos compradores.
Observação: a Shopify exige que a conta seja criada por uma pessoa com pelo menos 18 anos ou que tenha atingido a maioridade legal. Caso o empreendedor seja menor de idade, a conta deve ser aberta e administrada por um pai ou responsável, que será responsável pelos pagamentos e demais obrigações relacionadas à loja. Jovens legalmente emancipados devem verificar diretamente com a plataforma quais requisitos se aplicam ao seu caso.
8. Crie contas em redes sociais
As redes sociais podem ser uma ótima forma de divulgar seu negócio, mostrar seus produtos e se conectar com potenciais clientes. Dependendo da plataforma e da sua idade, pode ser necessário contar com a supervisão ou autorização de um pai ou responsável para criar e administrar uma conta.
Algumas formas de fortalecer a presença da sua marca nas redes sociais incluem:
- Publicar com consistência: manter uma frequência de postagens ajuda a aumentar o alcance e a manter o público engajado. Um calendário de conteúdo pode facilitar a organização.
- Interagir com o público: responda comentários e mensagens de forma educada e prestativa. Construir relacionamentos pode ajudar a conquistar clientes fiéis.
- Experimentar diferentes formatos: vídeos curtos, bastidores da produção, demonstrações de produtos, enquetes e transmissões ao vivo podem ajudar a descobrir o que mais interessa ao seu público.
- Compartilhar sua história: mostrar os bastidores do negócio e sua jornada como empreendedor pode tornar a marca mais autêntica e gerar identificação com os seguidores.
9. Divulgue e venda seus produtos ou serviços
Chegou a hora de começar a vender. Lance sua loja virtual, comece a divulgá-la e aguarde a chegada dos primeiros pedidos. Peça a clientes satisfeitos que recomendem seus produtos ou serviços para outras pessoas. Você também pode explorar outros canais de venda, como feiras de artesanato, bazares, eventos comunitários ou atividades organizadas pela sua escola.
10. Gerencie seu dinheiro
Quando o dinheiro começar a entrar, tenha um plano para ele. Você pode decidir reinvestir parte dos ganhos no negócio, cobrir despesas, economizar para os estudos ou guardar para objetivos futuros.
Peça ajuda aos seus pais ou responsáveis para entender conceitos como receitas, despesas, lucro e controle financeiro. Criar bons hábitos de gestão desde cedo pode ajudar você a tomar decisões mais conscientes, acompanhar o desempenho do negócio e se preparar para eventuais obrigações fiscais e financeiras no futuro.
Guia para pais: organização legal e financeira
- Entenda contratos e restrições relacionadas à idade
- Escolha a estrutura jurídica do negócio
- Mantenha as finanças do negócio separadas
- Defina os meios de pagamento aceitos
- Conheça as responsabilidades fiscais e de privacidade de dados
Seu filho pode ter uma grande ideia, mas você tem um papel essencial para tornar o negócio possível, seguro e organizado. Como pai, mãe ou responsável, você provavelmente ficará encarregado da parte legal e financeira.
Entenda contratos e restrições relacionadas à idade
No Brasil, menores de idade têm limitações para praticar determinados atos da vida civil, como assinar contratos ou abrir empresas em seu próprio nome. Por isso, a participação dos pais ou responsáveis pode ser necessária em diferentes etapas da jornada empreendedora.
Jovens entre 16 e 18 anos podem abrir uma empresa, participar de uma sociedade e administrar um negócio desde que sejam legalmente emancipados. Sem a emancipação, os responsáveis legais podem precisar participar de contratos, cadastros e outras decisões formais relacionadas ao empreendimento.
Além disso, plataformas de e-commerce, meios de pagamento, instituições financeiras e redes sociais costumam estabelecer idade mínima para a criação e administração de contas. Antes de começar, vale a pena verificar os requisitos das ferramentas que você pretende utilizar e entender qual será o papel dos seus pais ou responsáveis ao longo do processo.
Escolha a estrutura jurídica do negócio
Todo negócio precisa de algum tipo de organização legal. Para uma criança ou adolescente que está começando, o caminho mais simples costuma ser manter a atividade vinculada ao responsável, de acordo com as regras locais. Em alguns casos, pode fazer sentido criar uma estrutura mais formal, mas isso pode trazer custos e obrigações extras.
Se houver dúvidas, converse com um contador ou consultor local antes de registrar a atividade ou abrir contas específicas.
Mantenha as finanças do negócio separadas
Se o negócio começar a crescer, pode ser necessário avaliar a melhor forma de formalizá-lo. A escolha da estrutura jurídica influencia questões como tributação, emissão de notas fiscais, abertura de contas empresariais e contratação de serviços.
O registro como Microempreendedor Individual (MEI), por exemplo, é permitido apenas para maiores de 18 anos ou para jovens de 16 e 17 anos legalmente emancipados. Dependendo do caso, também pode ser possível participar de uma empresa ou sociedade seguindo as regras aplicáveis a menores de idade.
Antes de formalizar o negócio, vale a pena conversar com um contador ou outro profissional especializado para entender qual opção faz mais sentido para a sua realidade e quais serão as obrigações envolvidas.
Defina os meios de pagamento aceitos
Antes do lançamento, escolha os métodos de pagamento que serão aceitos.
- Se você vender online, os clientes poderão pagar usando os métodos ativados no checkout da loja.
- Se você vender localmente, pode começar com opções simples, como dinheiro, transferência bancária ou outros meios que seus pais ajudem a configurar e acompanhar.
Conheça as responsabilidades fiscais e de privacidade de dados
Mesmo pequenos negócios administrados por jovens podem ter obrigações fiscais. Dependendo da forma de atuação e do faturamento, pode ser necessário emitir notas fiscais, manter registros financeiros e cumprir outras exigências legais. Por isso, vale a pena contar com a orientação de um contador ou responsável para entender quando a formalização do negócio é necessária e quais regras se aplicam ao seu caso.
Se o negócio tiver um site, loja virtual, aplicativo, lista de e-mails ou qualquer outra forma de coletar informações dos clientes, também é importante conhecer as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A legislação estabelece cuidados específicos para o tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes, exigindo transparência e, em determinadas situações, o consentimento dos pais ou responsáveis.
Antes de coletar informações pessoais, procure deixar claro quais dados serão utilizados, para qual finalidade e como eles serão protegidos. Isso ajuda a construir confiança e a manter o negócio em conformidade com a legislação.
Sua ideia de negócio não pode esperar
Jovens empreendedores estão em uma posição única para criar produtos, serviços e experiências que atendam às necessidades da sua própria geração. Com planejamento, dedicação e o apoio de pais ou responsáveis, é possível transformar uma ideia em um projeto real e adquirir habilidades que serão úteis por toda a vida.
Empreender desde cedo pode ajudar a desenvolver competências como criatividade, comunicação, organização, resolução de problemas e educação financeira. Independentemente do tamanho do negócio, as lições aprendidas ao longo do caminho podem fazer diferença nos estudos, na carreira e em projetos futuros.
AVISO: Este guia tem caráter exclusivamente informativo e não constitui aconselhamento jurídico, contábil, tributário ou profissional. As regras relacionadas ao empreendedorismo de crianças e adolescentes podem variar de acordo com a legislação aplicável e as circunstâncias de cada caso. Consulte profissionais especializados e órgãos competentes para obter orientações específicas. A Shopify não se responsabiliza pelo uso das informações contidas neste guia.
Perguntas frequentes sobre como começar um negócio com menos de 18 anos
É possível começar um negócio com menos de 18 anos?
Sim. No Brasil, crianças e adolescentes podem desenvolver projetos empreendedores e administrar atividades com o apoio dos pais ou responsáveis. Muitas ideias de negócio podem começar de forma simples, como a venda de produtos artesanais, a prestação de serviços na comunidade, a criação de conteúdo digital ou a oferta de aulas particulares.
As regras variam conforme a idade e o tipo de atividade. Menores de 16 anos precisam ser representados pelos responsáveis legais para praticar atos empresariais. Já jovens entre 16 e 18 anos podem empreender com a assistência dos responsáveis ou, em alguns casos, atuar de forma independente se forem legalmente emancipados.
Qual é a idade mínima que uma criança pode ter para ter um negócio?
Qualquer jovem pode iniciar um pequeno negócio, desde que acompanhado dos pais ou responsáveis. Davi Braga, por exemplo, tinha apenas 13 anos quando criou a startup List-it para ajudar famílias a comparar preços de materiais escolares. Como muitos jovens empreendedores, ele contou com o apoio da família para desenvolver a ideia e transformá-la em um negócio. Crianças mais velhas e adolescentes costumam ter mais autonomia para participar da rotina do negócio, mas ainda podem precisar do apoio de um pai ou responsável para criar uma conta na Shopify.
Que tipo de negócio crianças e adolescentes podem começar?
Os negócios de crianças e adolescentes podem assumir diferentes formatos. Há jovens que criam projetos para ajudar suas comunidades, desenvolvem produtos artesanais, oferecem serviços ou transformam hobbies em oportunidades de renda. Pais e responsáveis devem verificar se a atividade escolhida possui restrições de idade ou exigências legais específicas. Também é importante lembrar que algumas etapas do negócio podem exigir a participação de um responsável legal, especialmente quando envolvem contratos ou serviços financeiros.
Algumas ideias incluem passear com cães, cuidar de animais de estimação, vender doces ou produtos artesanais, produzir itens de confeitaria, oferecer aulas de reforço, prestar serviços para a vizinhança, lavar carros, fazer jardinagem, revender produtos pela internet ou criar conteúdo para plataformas digitais.
Crianças podem vender na Shopify?
Para abrir uma loja na Shopify, é necessário ter 18 anos. Crianças e adolescentes podem vender com a ajuda dos pais, desde que um responsável seja o titular da conta, gerencie cobranças e pagamentos e acompanhe as obrigações legais do negócio.

